CDL Euclides da Cunha

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
55% dos MPEs que pretendem investir em seus negócios querem aumentar o volume de vendas

Dados doServiço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional deDirigentes (CNDL) mostram que a intenção de investir dos micro e pequenosempresários (MPEs) pelos próximos 90 dias segue em patamar baixo: apenas 21,4%dos entrevistados pretendem fazer investimentos, sendo o aumento de vendas oobjetivo apontado por 55,0% desses empresários. Outros motivos são anecessidade de atender a demanda (15,2%) e a adaptação da empresa a novastecnologias (14,6%). Em dezembro, o índice atingiu 26,23 pontos, abaixo dos27,00 pontos de novembro. Quanto mais próximo de 100, maior é a propensãodesses empresários a investir e, quanto mais próximo de zero, menos propensoseles estão. Na variação anual com dezembro de 2015, houve uma estabilidade nademanda por investimentos, fazendo com que o índice passasse de 25,16 para26,23 pontos.

Entre os que pretendem investir, o destino seráprincipalmente para propaganda e mídia (29,8%), para a ampliação de estoques(28,6%), para a compra de equipamentos, maquinário e computadores (25,1%) etambém para a reforma da empresa (24,0%). Para esses MPEs, o capital próprio aparececomo o principal recurso. Mais da metade desses empresários (57,9%) usarão odinheiro de poupança e investimentos. Outras opções ainda mencionadas sãoempréstimos em bancos e financeiras (18,7%) e a venda de algum bem (8,8%).

A maioria dos empresários, porém, não pretendeminvestir (70,7%) nos próximos três meses. Entre esses, 46,1% dizem não havernecessidade; 22,1% afirmam que o país ainda não saiu da crise e 15,2% apontam afalta de recursos e de crédito.

Para a economista-chefe do SPC Brasil, MarcelaKawauti, diante de um cenário de incerteza, o investimento encontra dificuldadepara avançar, e não só entre os micro e pequenos empresários. “Mesmo a melhorade confiança que se observou com mais evidência no segundo semestre de 2016ainda não foi suficiente para alavancar o investimento nem encorajar oempresariado a buscar crédito”, afirma. Apesar dos ainda persistentes fatoresde risco, a queda dos juros é boa notícia para o investimento que, no entanto,só deverá reagir mais à frente”, explica Kawauti.


87% também não contratarão crédito pelos próximos três meses

O SPC Brasil e a CNDL também calcularam a demandapor crédito dos micro e pequenos empresários e mostram que 87,2% não pretendemcontratar pelos próximos três meses e apenas 6,5% admitem essa possibilidade.“Os dados mostram que, no espaço de um ano, houve pouco avanço na intenção dasempresas de menor porte de contratar empréstimos ou recorrer a outrasmodalidades de crédito, a despeito das mudanças ocorridas no cenário político eeconômico do país”, avalia a economista-chefe. O indicador de demanda porcrédito do MPE permaneceu baixo ao longo de todo o ano de 2016, alcançando, nomês de dezembro, a marca de 12,3 pontos.

Quase metade dos empresários que não pretendemtomar crédito (49,4%) apontam o fato de conseguirem se manter com recursospróprios como justificativa. Destacam-se também as elevadas taxas de juros,apontadas por 17,6% desses empresários, e a insegurança com as condições políticase econômicas do país, citada por 17,2%.

Para Kawauti, quando se trata de negócios menores,a dependência de recursos de terceiros é menor do que em grandes negócios,razão pela qual muitos desses empresários dizem manter-se com os própriosrecursos. “O fenômeno constitui uma barreira cultural entre o crédito e opequeno empresário, que ainda não vê esses recursos como um meio para expandirseu negócio. Para completar, os juros altos e a atividade econômica fracaconstituem componentes adicionais para explicar a baixa demanda por crédito, aoelevar o custo do capital e reduzir a confiança dos agentes.”

Desde o início da série histórica, em maio de 2015,a intenção de contratar crédito não avança, com média próxima de 12,5 pontos.Contudo, há espaço para que a demanda cresça. “Metade dos que não pretendemcontratar diz não ver necessidade, mas boa parte aponta fatores comoinsegurança diante da crise e altos juros, que são conjunturais. Com o devidoplanejamento, o crédito pode ser uma via de crescimento para os empresários quetêm planos de investir”, indica o presidente da CNDL, Honório Pinheiro.“Políticas que reduzam o custo do crédito e retirem os entraves paracontratação, sem aumentar o risco dos bancos, podem traduzir-se em oportunidadede expansão de muitos negócios”, conclui.


Metodologia

Os Indicadores de Demanda por Crédito e dePropensão para investimentos do Micro e Pequeno Empresário calculados peloServiço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional deDirigentes Lojistas (CNDL) levam em consideração 800 empreendimentos com até 49funcionários, nas 27 unidades da federação, incluindo capitais e interior. Asmicro e pequenas empresas representam 39% e 35% do universo de empresasbrasileiras nos segmentos de comércio e serviços, respectivamente.

Por: CDL Euclides da Cunha
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