CDL Euclides da Cunha

quarta-feira, 22 de agosto de 2018
Atraso na quitação de empréstimos deixou 35% dos consumidores negativados, revelam CNDL/SPC Brasil

No últimoano, 20% regularizaram suas dívidas, mas 15% ainda estão inadimplentes.Pagamento de dívidas é principal finalidade dos que recorrem a essa modalidadede crédito

Oempréstimo é uma prática recorrente para o pagamento de dívidas, situações deimprevistos financeiros ou mesmo para quem precisa reformar a casa ou trocar decarro. No entanto, o acúmulo de dívidas vem se tornando um problema para muitosbrasileiros que não conseguem honrar seus compromissos. Uma pesquisa conduzidapela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço deProteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que mais de um terço dos entrevistadosque contrataram empréstimos no último ano (35%) ficaram com nome sujo poratrasar as prestações. Desse total, 20% já regularizaram a situação,enquanto 15% permanecem negativados.

De acordocom o levantamento, dois em cada dez brasileiros (23%) contrataram algumtipo de empréstimo nos últimos doze meses, sendo que 12% buscaramempréstimo pessoal em bancos e 7% em financeiras. Além disso, 14% optaram porempréstimo consignado em banco, principalmente entre o público com mais de 55anos (27%), e 6% em financeiras, modalidade em que se desconta as parcelasdiretamente do salário ou da aposentadoria. “A capacidade de pagamento daspessoas tem sido afetada pelo alto nível de desemprego. A renda das famíliascontinua achatada, levando muitos brasileiros a fazer empréstimos para pagarcontas ou mesmo quitar dívidas”, destaca a economista-chefe do SPC Brasil,Marcela Kawauti.

Hoje,cada entrevistado possui, em média, dois empréstimos. A maior parte do dinheiroobtido com o empréstimo pessoal é destinada ao pagamento de dívidas (24%),como outros empréstimos, fatura do cartão de crédito e prestações em atraso.Outros 19% utilizam o dinheiro para reformar a casa ou apartamento, 15% paraabrir um negócio e 15% para viajar. Entre os que adotaram a modalidade deconsignado, as principais finalidades apontadas são: pagar dívidas de outrosempréstimos, cartão de crédito e contas em geral (30%), reformar a casa ouapartamento (20%), pagar contas de água, luz, telefone, aluguel, condomínio eescola (16%), comprar mantimentos para casa (14%) e comprar ou trocar de carro(13%).

Um emcada quatro entrevistados não controla o pagamento das parcelas comempréstimos; 77% checam orçamento antes de contratar

Considerandoos entrevistados que possuem empréstimos em aberto, o número médio de parcelasque faltam para quitar o empréstimo é de 15 prestações, que pode chegar a 24parcelas entre o público com mais de 55 anos. A pesquisa mostra que mesmo emmeio a tantos compromissos, a maioria afirma controlar o pagamento das parcelas(75%). Desse universo, 34% fazem esse acompanhamento por meio de anotações emagenda ou caderno, 24% usam planilhas no computador e 17% aplicativos decelular.

Contudo,é expressivo o percentual de consumidores que não controlam essas despesas.Cerca de 25% reconhecem que essa não é uma prática corriqueira,principalmente entre as classes A e B (38%). “Se não houver um controle rígidona gestão das finanças, o consumidor pode atrasar algumas prestações etransformar a dívida  em uma bola de neve”, alerta o educador financeirodo SPC Brasil e do portal Meu Bolso Feliz, José Vignoli.
Embora uma boa parte deixe de acompanhar o pagamento das parcelas, 77% dosentrevistados disseram verificar previamente se o orçamento seria suficientepara pagar as prestações do empréstimo. O estudo aponta ainda que a maioriados que possuem empréstimos atualmente (81%) declaram estar com as parcelas emdia. Por outro lado, 12% relataram ter no momento uma média de três prestaçõesatrasadas.

 

21% dosbrasileiros tentaram fazer empréstimo, mas 12% não conseguiram, principalmentepor restrição em cadastros de proteção ao crédito
Outro dado curioso aponta que dois em cada dez consumidores (21%) tentaramtomar empréstimos nos últimos meses, mas apenas 9% conseguiram. Já 12%não conseguiram, principalmente por estarem com restrição do nome emcadastros de proteção ao crédito (45%). O segundo motivo para o pedido deempréstimo ser recusado é o valor solicitado que estava acima do permitido pelarenda (27%).

Alémdisso, 57% dos que tomaram empréstimo no último ano consideram que as taxas dejuros cobradas pelas instituições foram altas ou abusivas. Quando questionadossobre as exigências feitas para na hora de contratar empréstimos, 53% dosconsumidores revelam que nenhuma garantia foi solicitada. Sobre o valorlevantado, 48% avaliam que a quantia foi parcialmente suficiente para seusobjetivos — em especial os entrevistados das classes C, D e E (60%). Ao passoque para 52% o valor foi suficiente ― sobretudo nas classes A e B (77%).

Metodologia

Apesquisa traça o perfil de 910 consumidores de todas as regiões brasileiras,homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos e pertencentes às todasas classes sociais. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais e a margem deconfiança de 95%. Baixe a íntegra da pesquisa em https://www.spcbrasil.org.br/pesquisas

Por: CDL Euclides da Cunha
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